Autônomos FC 2 x 4 Bayern FC
Evento: Amistoso
Data: 21/07/2012
Modalidade: Futebol de Campo - Masculino
Relatório da Partida:
Do Itaquerão ao Olympiastadion
Após a dramática desclassificação no último minuto da Copa Geração, o Autônomos voltou a campo por duas vezes neste sábado.
De manhã, os rubro-negros visitaram a Cidade Líder para enfrentar o Bayern local. O porre de sempre acordar cedo, até pra jogar bola. A distância e o horário faziam temer um quorum insuficiente.
No entanto, até as nove horas o metrô Penha já estava repleto de autônomos, que logo lançaram mão do vasto repertório de piadas e imitações, esbanjando euforia pouco compreensível à média dos nossos concidadãos.
Paulo Junior mandou SMS atribuindo sua ausência ao despertador. Lucas Borba ofereceu carona de forma tão firme e animadora que apesar de ser o elemento que amanheceu mais perto do campo, chegou sozinho ao Olympiastadion da z/l. Na Penha, a delegação estendeu um pouco o tempo de espera, até se assegurar que haveria 11. Alex chegou quando todos iam pra dentro dos carros. Na sequência, dividiram-se os bondes, de acordo com certa afinidade de hábitos.
Em pouco tempo, o inesperado Sol, a zombaria e o chá da manhã faziam agradecer a saída da cama em direção ao convívio autônomo. Perto do campo, passamos ao lado das obras do futuro estádio da Itaquera, cujo estágio de avanço realmente surpreende. Mas ainda é difícil conceber esses novos templos do futebol moderno tomando conta de tudo, sendo os novos locais de entrelaçamento com o clube amado, deixando num passado saudoso lembranças de outros palcos, de tantas e tantas jornadas de autêntica festa e delírio populares, o que suspeitamos não ser mais possível nos novos “teatros dos sonhos” que se erguem. “De consumo”, acrescento, para não violentar a pureza do lema do velho e lendário Old Trafford, criado em tempos menos maliciosos e mercadológicos.
Como não é de praxe, o Auto chegou ao campo antes de todo mundo, esperando o adversário que ia pingando aos poucos, cada um deles aumentando um pouco mais nossa preocupação, surpresos que estávamos de ver um time somente de molecada se apresentando para um jogo matutino. Esperava-se uma mescla com veteranos, pelo horário. Logo, concluímos que só podia se tratar de uma molecada realmente afim de futebol, fato que somado ao próprio local do jogo não deixava dúvidas em ninguém de que estaríamos diante de um time de bastante qualidade.
O campo era bem ajeitadinho. Não muito grande, terra batida e meio fofa, que fazia a bola quicar acima do imaginado. Tinha um espaçoso bar na lateral, atrás dos bancos de reservas. Posicionamento perfeito, portanto. Atrás dos gols, três ou quatro degraus de arquibancadinha, pintados de azul celeste e branco, assim como os muros e mais uma ou outra instalação. Não ficamos sabendo se as cores se vinculavam a algum time local. Mas brisamos no que seria uma canchita nossa, parecida. Clima tranqüilo, havia também quadrinha e um espaço pra crianças brincarem.
Começado o jogo, o panorama era equilibrado. Os dois times no 4-4-2 clássico, tentando reter a bola e jogar pra frente. Ninguém era superior. Na primeira bola lançada em contra-ataque, o time da casa achou seu forte centroavante nas costas da zaga; ele tocou por cobertura e abriu o placar.
O rubro-negro não esmoreceu, estava seguro em campo e assim se manteve. Aos poucos foi achando espaços, articulando jogadas e criando alternativas. Alex teve suas investidas pela esquerda do ataque, Guilherme desarmava e subia muito bem, o volante estreante “Che” melhorava com o decorrer do tempo e de forma geral todos participavam e jogavam.
Não tomamos mais sustos, exceto em dois cruzamentos pro centroavante, um negão bem forte, quase imbatível na bola aérea. No entanto, chegávamos cada vez mais, tendo dois ou três chutes bem perigosos e um bom número de escanteios.
No final do 1º tempo, uma saída rápida de contra-ataque passou pelo meio campo, chegou em D2, mais adiante, que dominou, girou e colocou para Boça. Este dominou, na direita da área, e bateu cruzado, alto, empatando.
Segundo tempo começa igual, porém, o banco do Bayern começaria a fazer diferença. Enquanto o Auto tinha Lemas e Dentinho de opções, os donos da casa foram trocando diversos jogadores, tendo um meio campo repleto de moleques bons e rápidos, afim de jogar e correr mesmo. Começaram a achar o lado esquerdo, onde colocavam cada vez mais jogadores pra triangular e chegar ao fundo. A pressão ia aumentando. Bruno Tevez saía bem do gol, a zaga tirou bolas importantes.
Mas o cansaço de Che e sua saída não foram tão bem absorvidos. Com câimbras, deu lugar a Lemas, que entrou na direita e deslocou DJ pra volância. Bem com a bola, ele demorou a se achar na marcação em sua nova posição. No entanto, o time ainda mantinha alguma força pra contra-atacar.
Após tanto insistir pela esquerda, uma hora o Bayern conseguiu ir ao fundo e cruzar. Bruno tentou tirar na confusão, mas a bola sobrou pro gordão que entrou de 9 empurrar pro gol semivazio. O Auto respondeu rápido. Leandro tabelou com Boça, que deu lindo passe de calcanhar, pelo alto nas costas da zaga, para o quarto zagueiro fuzilar e parar no goleiro. No lance seguinte, novo lançamento nas costas da zaga, os dois adversários foram na bola e protagonizaram um pastelão já muito vivenciado pelo Auto. Goleiro e zagueiro foram com tudo, um chutou no outro e ganhamos o empate de presente.
No último quarto de jogo, o cansaço cobraria um pouco do seu preço. As investidas pela esquerda prosseguiam, afinal, foram duas alterações só naquele lado, e fora o autor do 2º gol não havia nenhum jogador do time deles que não fosse magro, rápido e técnico.
Assim, decidiram o jogo em lances quase idênticos. Um dos meias do Bayern recebeu duas vezes a bola pelo lado que vinham insistindo, conduziu para o meio e achou uma brecha pra arrematar de canhota. Na primeira, Bruno ainda tocou nela, mas não o bastante pra evitar o desempate. Na segunda, a bola foi ainda mais difícil, tocando no pé da trave antes de morrer lá dentro.
O Auto continuou atacando, buscando o jogo, criando jogadas. D2, quando estava 2-2, já tinha dado lugar a Dentinho, que foi pra volante, adiantando DJ. Perderam-se duas oportunidades, inclusive no lance em que Boça tomou um grande susto ao trombar com o goleiro, em cruzamento de Alex que DJ testou do jeito que deu e tocou pra fora. Com a lesão, D2 voltou a campo e quase marcou após corner.
Fim de jogo e uma sensação de tranqüilidade entre todos, de quem sabia que o time havia feito uma boa exibição, parelha, tendo perdido na última parte basicamente pelo fato de o adversário dispor do triplo de opções no banco, enquanto os rubro-negros só tiveram duas trocas, defensivas, na manga.
Muita buena onda entre os times, a promessa de marcar novos jogos, inclusive uma revanche em casa e de volta aos bondes, pois havia o segundo compromisso do dia, no Bicudão. A pancada em Boça machucou, mas foi mais um susto, sem graves conseqüências. De forma geral, atuação segura e confiante de todos os jogadores. Time ligado, marcador, que apenas perdeu um pouco do fôlego defensivo na reta final do jogo, natural diante de time bom de bola e mais ligeiro que o nosso.
Auto: Bruno, DJ, Matusa, Leandro e Lucas Borba; Guilherme, Che, D2 e Gabri; Alex e Boça.
Entraram: Lemas e Dentinho.
Gols: Boça e contra.