Virada numa tarde de velhos tempos07.24.12
Emendando o segundo jogo seguido, o Auto recebeu em casa o Cambução, que fazia sua estréia na várzea paulistana. O jogo parecia complicar-se já no vestiário, quando o goleiro Lipe não havia chegado e o número de jogadores era escasso, obrigando o time a escalar mais da metade dos que estiveram de manhã.
Porém, também foi no vestiário que o mínimo de sorte começou a dar as caras. Conforme já tinha declarado a alguns amigos, o autor do gol do primeiro título autônomo, Jay, apareceu em cima da hora, no que parece um retorno paulatino do anglo-jamaico-brasileiro. Na sequência, chegou Zau, permitindo a formação da dupla de 2008, o que fez Che e Matusa serem “desescalados” da volância – com a consciente aprovação dos próprios.
Outro que voltou pra vestir mais uma vez a camisa rubro-negra foi o experiente Zé Roberto, que formou dupla de ataque com Bruno Tevez. Leandro, cansado e dormindo num carro, foi convencido a fazer um esforço extra e formar zaga com Matias. Completavam o time os laterais Dentinho e Clasher e os meias Alex e Gabri. Sem Lipe, o Auto contou com a gentileza de receber do adversário um dos dois bons goleiros que dispunham.
De início, o dono da casa começou devagar, ainda desconcentrado e disperso em campo. Os visitantes sabiam tocar a bola e iam encontrando espaços. Em tabela na frente da área, um arremate da meia-lua os colocou na frente.
Sabendo-se superior, com mais conjunto, o Auto logo partiu pra cima. Conseguia manter a bola no pé e trocar passes. Após lateral cobrado direto na área seguido de confusão, Bruno Tevez conseguiu escorar o zagueiro e tocar no canto alto do goleiro, que nem reagiu.
O time ia se soltando, mas a marcação ainda estava mal coordenada. Chutões e até cobranças de laterais entravam no meio da desguarnecida defesa e por pouco o Cambuçao não fez outro. Faltava a compactação e ocupação de espaços que tanto se exige.
Ainda assim, um lançamento espetacular de Clasher, colocou Bruno na cara do gol; ele chegou antes do goleiro e sofreu o pênalti. Leandro deslocou o arqueiro com tranqüilidade e virou. Porém, a desatenção defensiva prosseguia, e após assistir outra triangulação na frente da área, o Auto levou o empate.
Outro jogo
No segundo tempo, a história foi completamente diferente. Jay, que ainda sem ritmo havia dado lugar a Matusa, voltou no lugar do mesmo. D2 entrou no lugar de Zé Roberto e o time mudou para o 4-5-1, alinhando três meias atrás de Bruno. Lipe chegou e entrou no gol.
Com isso, a saída de bola adversária ficou bloqueada, e até pelo conjunto pouco desenvolvido, o Cambuçao não encontrou mais nenhuma alternativa pra escapar da armadilha.
O domínio do Auto era enorme. Muitas bolas roubadas e vários chutes em gol. O arqueiro do primeiro tempo agora estava do outro lado e fazia excelentes defesas. Foram no mínimo três fundamentais.
No entanto, após tanto insistir viria a recompensa. Jay roubou bola lançada no meio campo, deixou com Alex, que tabelou com Gabri, para receber e cruzar; Bruno cabeceou, o goleiro pegou e a bola sobrou limpinha pra Gabri vir de trás, desmarcado, tocar pro gol completamente vazio.
A virada não diminuiu o ímpeto do time, que continuou pressionando e criando. Bruno e Alex perderam uma ótima chance cada. D2 parou no goleiro, Bruno também. Gabriel cabeceou fora e tampouco escapou de nova defesa do goleirão, em chute de fora.
Em contra-ataque, Bruno foi derrubado pelo último homem. O juiz “gringo” (o que comprova a neutralidade do confronto) marcou pênalti. Mas o choro foi forte. Pela falta de apito, o árbitro não tinha a mesma autoridade em campo, o que tornou o jogo mais confuso e “gritado” em alguns momentos. Juraram que foi fora da área. Para evitar melindres posteriores, o Auto aceitou cobrar a falta. Matias tentou enfiar um canhão e isolou.
No mais, o Auto não deixava o visitante passar do meio campo. Zau fez excelente segundo tempo e ganhou todas as bolas pelo meio, participando também da armação. O jogo só acontecia de um lado do campo.
No final, algumas alterações. Um californiano (Lucas) trazido por Jay, pra mostrar que continua o mesmo mestre do intercâmbio, e Saldiva entraram nas laterais. A bem da verdade, velhos filmes passaram em algumas das cabeças autônomas. Mas tudo correu bem, o time segurou a escassa pressão e alguns escanteios cobrados pelo Cambução e Saldiva ainda interveio em bate-rebate em que o atacante adversário quase concluiu na pequena área, travando e dando escanteio que seria afastado.
Fim de jogo e uma pronta reabilitação. Não fosse o excesso de duplas-jornadas, o time poderia ter feito um primeiro tempo mais centrado e construído um placar muito mais dilatado, que refletiria uma diferença normal entre os times. Derrota fora, vitória em casa, tudo protocolar, e mais um fim de semana bem vivido em rubro-negro, com o sabor de (não tão) velhos tempos.
Auto: Goleiro emprestado (Lipe), Dentinho (Lucas), Matias, Leandro, Clasher (Saldiva); Zau, Jay (Matusa)(Che), Gabriel, Alex; Zé Roberto (D2) e Bruno Tevez.
Gols: Bruno, Leandro e Gabri.
De: Gabriel Brito